O século XXI tem se caracterizado por um paradoxo histórico profundo: a despeito das previsões triunfalistas do fim da história, que anunciavam a vitória definitiva do capitalismo liberal, as contradições inerentes a este modo de produção aprofundaram-se e manifestaram-se com violência renovada. Vivemos uma era de crises multifacetadas – económica, ecológica, sanitária, política e social – que expõem as limitações estruturais e a irracionalidade fundamental de um sistema orientado pela acumulação infinita de capital em um planeta finito.
Neste contexto de turbulência e de busca por alternativas, o pensamento marxista reafirma-se não como um dogma do passado, mas como uma ferramenta viva e indispensável para a compreensão crítica da realidade. A obra de Karl Marx e seus desenvolvimentos posteriores oferecem um arsenal teórico único para desvendar as leis de movimento do capital, a gênese das crises, a natureza exploratória do trabalho, a função da ideologia e as dinâmicas da luta de classes em suas mais variadas expressões, como as questões de gênero e de raça.
É precisamente para reafirmar esta potência crítica e fomentar um espaço de rigorosa investigação e debate plural que foi criado o Núcleo de Crítica Social Marxista (NUCRIM) em 2025. Este grupo nasceu da convicção de que seja capaz de dialogar com as diversas tradições e correntes do marxismo, sem sectarismos, mas com compromisso intelectual e político com a transformação social.