Segundo a concepção acadêmica do PEPI, uma única área de concentração - a Economia Política Internacional – contempla as atividades de ensino e pesquisa do Programa. Estas têm em comum abordagens teóricas que envolvem os fundamentos da teoria política, da economia política e da história. Seu método envolve um exercício constante de questionamento e interpretação da história e do presente, associado à análise interdisciplinar que caracteriza a economia política internacional como campo do saber.

O poder e a economia são, assim, compreendidos como as duas faces de uma história que é a história dos Estados nacionais no desenvolvimento do capitalismo e em sua expansão no sistema internacional. As questões do poder, do Estado, da sociedade e da guerra, da moeda, das finanças e do capital estão presentes de distintas formas nas três linhas de pesquisa concebidas no PEPI, que se diferenciam pelo objeto e pelo ângulo privilegiados. Em todas, no entanto, busca-se uma interpretação das principais transformações políticas e econômicas nos países centrais e na periferia do sistema mundial, a partir de uma perspectiva histórica e estratégica própria da periferia em que nos encontramos.

Em consonância com cada linha de pesquisa, são desenvolvidos projetos de pesquisa sob a responsabilidade de pelo menos um docente do PEPI.


LP1. Sistema inter-estatal e poder global

Essa linha tem como objeto de estudo a articulação e a luta pelo poder global e pela acumulação do excedente econômico, entre estados e economias nacionais, dentro do que chamamos de "sistema inter-estatal capitalista". Promove a análise do funcionamento e das tendências de longo prazo do sistema mundial que se formou a partir a partir do Século XVI, e da expansão conquistadora de alguns estados europeus e suas economias nacionais. Centra-se no conceito de poder global como "modo de olhar" o sistema político e econômico mundial que privilegia o movimento, o conflito e as contradições que movem este sistema, impedindo sua estabilização e qualquer tipo de "paz perpétua" ou de "governança estável". Investiga a história dos impérios e das hegemonias internacionais, e a dos processos de conquista e de colonização, e analisa o poder militar como um dos aspectos emblemáticos das relações assimétricas no sistema.


LP2. Desenvolvimento capitalista e geopolítica

A tradição crítica da economia política clássica e a do pensamento estruturalista latino-americano são o ponto de partida dessa linha de pesquisa, cujo objeto é o desenvolvimento desigual das nações. Parte da observação de que a tendência do capitalismo desregulado é a crescente polarização e a divergência entre taxas de crescimento do produto e níveis de renda per capita dos diferentes países. Analisa as estratégias internas de desenvolvimento dos Estados Nacionais e investiga a orientação geopolítica das potências dominantes bem como o controle sobre a tecnologia e o progresso técnico. Assim, congrega estudos que tenham por temática geral a relação entre processos e projetos de desenvolvimento econômico, e os desafios competitivos, militares, políticos e econômicos, enfrentados na esfera internacional, pelos Estados capitalistas. Os estudos nesta linha exploram a relação entre o forte desenvolvimento econômico demonstrado por algumas sociedades da atualidade e a existência de grandes desafios externos competitivos impostos a essas sociedades, responsáveis pela existência de uma orientação estratégica defensiva e permanente de seus Estados, envolvendo quase sempre, uma dimensão político militar e uma competição acirrada pelo controle das “tecnologias sensíveis”. Busca ainda congregar reflexões sobre a relação entre as armas e a indústria armamentista, por um lado, e o desenvolvimento econômico e o poder internacional, por outro. Propõe gerar estudos que se diferenciem do debate convencional acerca do desenvolvimento econômico, buscando suas interfaces com a luta de poder e pelo poder interestatal.


LP3. Moeda, finanças e geoeconomia

Essa linha de pesquisa promove a análise da evolução do sistema monetário internacional. Seu foco é o controle da moeda e finanças internacionais como aspecto fundamental do desenvolvimento desigual no sistema inter-estatal, que expressa as assimetrias entre os países centrais e os periféricos. Os projetos de pesquisa nessa linha abordam a história das finanças internacionais, do comércio internacional e da moeda.